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Cinematologia

Repositorium de todos os filmes que vi

Cinematologia

2009-The Milk of Sorrow by Claudia Llosa

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Ciclo de Cinema|Óscares 2010

Nominee Best Foreign Language Film - Peru

Sinopse:

Entre os turbulentos anos 70 e 90, em que o Peru vivia aterrorizado nas mãos de Sendero Luminoso (organização terrorista fundada, em 1960, por Abimael Guzman), nasceu uma crença sobre uma doença transmitida pelas mulheres violadas que, se estivessem grávidas ou a amamentar, o seu leite estaria contaminado pela tristeza e essas crianças seriam, para sempre, infelizes e desalmadas.
Fausta (Magaly Solier), ainda no útero materno, assistiu à violação da sua mãe e hoje é uma Teta Assustada. Agora, depois da morte dela, para que possa sobreviver ao mundo, terá que curar a sua tristeza e ultrapassar o seu medo paralisador.

cinecartaz.publico.pt

 

Crítica:

Um belíssimo filme cuja aparente simplicidade e tranquilidade escondem discretamente as turbulências de uma jovem que aprende a viver no mundo real. A propósito de "A Teta Assustada", podia-se invocar o "realismo mágico" que se tornou no metro-padrão da literatura latino-americana pós-Gabriel García Márquez, ou a vitalidade aparentemente imparável do cinema que nos chega da América do Sul hispânica. E tudo isso está na segunda longa-metragem da peruana Claudia Llosa, mas é limitativo para definir um filme camaleónico e multifacetado, profundamente pessoal e atmosfericamente político, de um realismo quase documental cruzado com um onirismo surreal, onde as dificuldades da adolescência e as heranças ancestrais se miscigenam numa espécie de limbo social. É um filme enganador: parece muito menos do que é, não se revela por inteiro numa primeira visão, ganha em ser digerido com tempo e atenção (o que explica porque é que, mesmo quando o vimos primeiro no Festival de Berlim onde ganhou o prémio máximo, a sua tranquilidade não revelou todos os seus segredos).

Mas dentro da sua história de uma jovem forçada a crescer cabem mundos inteiros - e raros são os filmes que nos dão vontade de os explorar todos.

Jorge Mourinha-www.publico.pt

 

Cinemantário: É um filme tão poético, tão bonito e, de facto, «é um filme enganador: parece muito menos do que é».