Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Cinematologia

Repositorium de todos os filmes que vi

Cinematologia

2008-In Bruges by Martin McDonagh

in_bruges_ver2_xlg.jpgCiclo de Cinema|Óscares 2009

Nominee Best Writing (Original Screenplay)

Sinopse:

Depois de um trabalho em Londres que corre mal, dois assassinos são enviados para a pacata Bruges, na Bélgica, para desaparecerem do mapa por uns tempos. Ray (Colin Farrell) odeia a cidade e está irritado com o insucesso do trabalho, enquanto Ken (Brendan Gleeson), olhando o colega de forma paternalista, se deixa levar pela calma e beleza daquela mítica cidade belga de fortes traços medievais. Durante a estadia, sucedem-se encontros estranhos quer com turistas quer com habitantes, um actor norte-americano anão, prostitutas e uma misteriosa mulher. As férias acabam quando o chefe, Harry (Ralph Fiennes), telefona a um deles e ordena-lhe que assassine o outro. As ruas labirínticas de Bruges tornam-se então um cenário surrealista de perseguições.

cinecartaz.publico.pt

 

Crítica:

Pode parecer a mais recente variação sobre os criminosos filósofos de Tarantino ou sobre os criminosos coloridos de Guy Ritchie, mas é só aparência. Por baixo das conversas de pub repletas de coloquialismos profanos e das bebedeiras ou pedras mais ou menos absurdas esconde-se uma peculiar meditação sobre a culpa dobrada de viagem iniciática, deslumbrantemente entretecidas pela mão do dramaturgo irlandês Martin McDonagh.

É, claramente, um filme de dramaturgo: "escrito" até à quinta casa, milimetricamente planeado nas rimas e referências internas e no arco das personagens, mais interessado em baralhar as cartas das figuras de estilo dos géneros com que brinca do que em seguilas à risca. E, sobretudo, é um filme extraordinariamente atento aos seus actores, desafiando-os a acompanhar essas guinadas sem nunca perder o fio da humanidade das personagens: tire-se o chapéu a McDonagh por conseguir, ao primeiro filme, sacar interpretações notáveis de Colin Farrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes, todos a jogarem ao mesmo tempo a favor e contra as suas imagens de marca, capazes de darem vida às palavras de McDonagh muito para lá da superfície, alerta, atentos, empenhados como não os víamos há muito tempo.

Claro que, como filme de dramaturgo, não é grandemente "visual" - não é, felizmente, teatro filmado, mas cinematograficamente é mais cumpridor do que inspirado, limitando-se a ilustrar a história que se conta. Mas, quando a narrativa é boa e os actores melhores, não é preciso ser um cineasta de eleição; basta saber o que se está a fazer. Martin McDonagh sabe, e isso chega para fazer de "Em Bruges" uma pequena surpresa que merece ser descoberta.

Jorge Mourinha-www.publico.pt

 

Cinemantário: É um filme tão estranho, mas de uma estranheza existencialista muito bem conseguida.