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Cinematologia

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2006-The Black Dahlia by Brian De Palma

 Resultado de imagem para The Black Dahlia movie posterCiclo de Cinema| Óscares 2007

Nominee Best Cinematography

 

Sinopse:

Baseado no aclamado romance de James Ellroy (o autor de "L.A.Confidential") e realizado por Brian De Palma, "A Dália Negra" é a história ficcionada de um caso verídico: o brutal assassínio de uma rapariga que aspirava tornar-se uma estrela em Hollywood, na mesma altura que Norma Jean se torna na mítica Marilyn. O caso de Betty Ann Short chocou e fascinou os EUA em 1947 e permanece um mistério. Lee Blanchard (Aaron Eckhart) e Bucky Bleichert (Josh Hartnett), polícias e antigos pugilistas, são chamados para investigar o homicídio da ambiciosa aspirante a actriz também conhecida como "Dália Negra". À medida que a crescente preocupação de Blanchard com o assassinato ameaça a sua relação com Kay (Scarlett Johansson), o seu parceiro Bleichert vê-se atraído pela enigmática Madeleine Linscott (Hilary Swank), a filha de uma das mais influentes famílias da cidade - que tem uma ligação dúbia e misteriosa à vítima do homicídio.

cinecartaz.publico.pt

 

Crítica:

Dirigido por Brian De Palma, Dália Negra tem o apuro técnico de todas as obras do cineasta. Com uma fotografia esplendorosa de Vilmos Zsigmond, sempre ressaltando o tom escuro (característica do gênero), e uma impecável recriação de época, tanto em termos de cenário quanto de figurino, Dália Negra torna-se um filme belíssimo para se olhar, ainda que os problemas narrativos construam um longa difícil de se assistir.

Como de praxe, De Palma exibe todo o seu talento ao criar momentos que vão deleitar os cinéfilos. Seu cuidado com a composição dos planos e a inventividade dos movimentos de câmera e enquadramentos são a principal qualidade de Dália Negra. Cada cena parece pensada e executada de forma a atingir o máximo de plasticidade possível, resultando em imagens de beleza impressionante e com um invejável domínio técnico.

A virtuose de De Palma no manejo da câmera pode ser notado em cenas como o fabuloso plano-seqüência pelas ruas e prédios da cidade, uma realização, diga-se de passagem, possível unicamente graças ao ótimo trabalho de direção de arte. Da mesma forma, o cineasta ainda chama a atenção para si em quadros como aquele que vemos o detetive Blanchard encostado em uma parede e Bleichert ao fundo, sobre uma escada.

Porém, a melhor cena de Dália Negra, onde as influências hitchcockianas em De Palma se tornam claras, se passa numa escadaria, terminando numa queda sobre uma fonte. Beneficiando-se de um preciso trabalho de montagem, a seqüência é um primor de suspense, com soluções criativas (a sombra do assassino no teto) e outras mais usuais (a câmera lenta), atingindo um nível de tensão e estética quase equivalentes.

No entanto, se Dália Negra é um banquete em termos visuais, o roteiro é repleto de problemas. O mais perceptível deles é em relação à própria adaptação. Quem já leu alguma obra de James Ellroy sabe a complexidade das tramas paralelas e do grande número de personagens que o escritor costuma criar. 

E este parece ter sido o mal que acometeu Josh Friedman, responsável pela adaptação. Na tentativa de comprimir o texto de Ellroy em duas horas de filme, Friedman entregou um roteiro confuso e repleto de digressões, com diversas tramas simultâneas que acabam dando um nó na cabeça do espectador. Falta objetividade à história e tanto o roteirista quanto De Palma não conseguem oferecer clareza à trama. Percebe-se como há a urgência de se explicar todos os pontos soltos e a pressa resulta em mal-explicadas deduções dos personagens e conclusões inverossímeis. Certas cenas, situações e personagens parecem jogadas na tela sem grande razão de existir exceto respeitar o livro.

www.cineplayers.com

 

Cinemantário: Tem uma atmosfera muito peculiar como Hitchcock o faria.