Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Cinematologia

Repositorium de todos os filmes que vi

Cinematologia

2006-Borat, Cultural Learnings of America for make benefit Glorious Nation of Kazakhstan by Larry Charles

Resultado de imagem para Borat, Cultural Learnings of America for make benefit Glorious Nation of Kazakhstan movie poster

Ciclo de Cinema| Óscares 2007

Nominee Best Writing (Adapted Screenplay)

 

Sinopse:

Hilariante, anti-semita, inconsequente, louco, ultrajante são apenas alguns dos adjectivos que quem ama e odeia Sacha Baron Cohen usa para classificar a estrela de um dos mais famosos programas de televisão da HBO, o actor de "Da Ali G Show" e a sua personagem Borat, repórter do Cazaquistão. Borat é enviado aos Estados Unidos para fazer uma reportagem sobre um dos maiores países do mundo e os seus hábitos para a Televisão do Cazaquistão. Mas, chegado a Nova Iorque, Borat está mais interessado em encontrar a actriz Pamela Anderson que em estudar os hábitos dos nova-iorquinos. Apesar de ter sido um sucesso de bilheteiras em todos os países em que já estreou, a exibição comercial de "Borat" foi proibida na Rússia, algo que acontece pela primeira vez no país desde o fim do regime comunista. Também um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão alerta as distribuidoras para não exibirem um filme "insultuoso para o povo do Cazaquistão".

cinecartaz.publico.pt

 

Crítica:

O mundo está dividido em dois campos: os que acham graça e os que não percebem. É de propósito. Sacha Baron Cohen não quer outra coisa: o humor de máximo denominador comum não tem garra, não tem chama, não tem graça. É nas franjas, na margem que nem todos percebem e que cria cultos, que se cria o futuro "mainstream". 

É, no fundo, um tradicionalíssimo "road movie" onde um homem aprende coisas sobre o mundo e sobre si próprio - apelando aos piores instintos de cada um de nós. Reside, aliás, aí a chave de "Borat..." enquanto exercício radical de humor confrontacional: o que Sacha Baron Cohen faz é obrigar primeiro os interlocutores que "apanha" em flagrante delito e os espectadores que "apanha" em flagrante deleite a enfrentarem os limites dessa pecha contemporânea a que se chama "politicamente correcto". Nada, mas nada, em "Borat..." é politicamente correcto; o mais espantoso é que muito do mais politicamente incorrecto que aqui se vê venha não da personagem mas sim dos incautos que são apanhados na teia de Borat, a quem a personagem incentiva inesperadamente a revelar a sua natureza humana - e, por arrastamento, dos espectadores, levados a uma gargalhada com tanto de sincero como de desconfortável. Porque Baron Cohen está a fazer humor com coisas sérias (como o melhor humor deve ser feito) de uma maneira que o coloca não só a ele em risco (até fisicamente, com uma coragem quase inconsciente) mas também a quem participa ou quem assiste: é como fazer uma montanha russa de olhos vendados.

O espelho distorcido que Sacha Baron Cohen nos reenvia é um retrato em permanente desconforto do mundo em que vivemos, onde os "apanhados" não são apenas aqueles com quem Borat se cruza numa América investigada para lá do lugar comum mas também os espectadores que embarcam na aventura e se perguntam exactamente o que é isto. É verdade que nos rimos: mas, como dizia Juca Chaves a propósito da hiena, rimo-nos de quê?

Jorge Mourinha-www.publico.pt

 

Cinemantário: Um filme tão louco, mas tão são ao mostrar a insanidade do mundo.