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Cinematologia

Repositorium de todos os filmes que vi

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1997-Carne Trémula by Pedro Almodóvar

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Sinopse:

Quando Victor aparece em casa de Elena, ela está à espera de um “dealer” que nunca mais chega. A chegada do jovem só vem a piorar as coisas. Nervos, uma arma e dois polícias, que tiveram também um mau dia, complicam ainda mais a situação. David, um dos polícias, é atingido por uma bala que o deixa paraplégico. Victor é considerado culpado e condenado a seis anos de prisão. É aí que o jovem assiste ao sucesso que David, entretanto transformado numa estrela de basquetebol nos jogos Para-Olímpicos de Barcelona, agora partilha com a sua nova mulher, Elena. Os seus pensamentos de vingança tornam-se uma obsessão.

cinecartaz.publico.pt

 

Crítica:

Realizada en 1997, Carne trémula é o filme número 12 do seu realizador e aquele que melhores  críticas recebeu. Almodóvar mostra-se já como um mestre da narração cinematográfica: sabe perfeitamente o que quer contar e como fazê-lo. Seleccionado em 1999 pela revista Time como um dos melhores 10 filmes em estreia no ano anterior, é também o alarde interpretativo do seu protagonista, Javier Bardem.

O seu cinema deixa o sabor da carne bem passada por fora, mas em sangue por dentro. Sofisticado por fora, passional e despedaçado no sistema nervoso do espectador. Poder-se-ia dizer que tudo, história, montagem, a cor calculada das paredes, dos sofás ou a música servem, acima de qualquer outro interesse, para sustentar as emoções, para dar-lhes corpo.

Momentos decisivos de vida ou morte em que não se pode andar com ornamentos, porque a realidade brutal não é ornamentada por muito que a decoremos e insistamos em refiná-la.

Traduzido do espanhol de elpais.com

 

A sua riqueza cresce incessantemente, quase inapelavelmente, conformando um filme de extraordinária audácia, precisão e formosura, composta com um rotundo vigor trágico e inseparável da delicadeza de um humor libérrimo. É, por isso, um filme que roça o insuperável, que faz coincidir o que finalmente nos dá com o que ao longo do seu apaixonante desenvolvimento nos promete, o que é muitíssimo. Em cinema, a isto se chama roçar a perfeição e embarca-nos numa aventura visual das mais elegantes e melhor construídas que este cronista viu em décadas. 

Ángel Fernández-Santos

Traduzido do espanhol de elpais.com

 

Cinemantário:

Adorei este filme. O amor como sopro de vida. O único, aliás, que nos torna verdadeiramente humanos.